O que é que esse frango tem?

Para muita gente, tem hormônio de sobra e sabor de menos, mas não é bem assim. Entenda por que a carne mais consumida no Brasil perdeu a nobreza e confira dicas para comprá-la e prepará-la.

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É mito ou verdade que o frango que consumimos no Brasil tem hormônio?

Mito, dizem os especialistas.

Essa polêmica voltou à tona em fevereiro, quando avicultores foram autorizados pelo Ministério da Agricultura a estampar no rótulo de frangos a frase “sem uso de hormônio, como estabelece a legislação brasileira”.

De fato, a lei veta uso de hormônio desde 2004.

“Além de ser ilegal, diversos estudos já mostraram que não existem vantagens técnicas e econômicas”, diz Gerson Scheuermann, pesquisador da Embrapa Suínos e Aves.

Mas é verdade que o bicho cresce mais – e muito mais rapidamente – do que há 30 anos. E isso não se deve a hormônios, e sim ao melhoramento genético.

Frangos com peito desenvolvido, por exemplo, são selecionados e usados para reprodução de forma que a geração seguinte tenha o peito mais carnudo. O mesmo vale para os animais com maior apetite – comem mais e crescem mais.

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“Não traz riscos a humanos, mas precisa de aperfeiçoamento constante, pois pode causar problema nas aves”, diz Ariel Mendes, diretor da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal).

Geneticistas já observaram, em diferentes épocas, aumento de casos de síndrome de morte súbita e de problemas nas patas de frangos de corte, prejudicadas pelo sobrepeso do animal.

STATUS À MESA

Embalado por esse “mito do hormônio” e por um abate industrial – o Brasil é o terceiro maior produtor mundial -, o frango perdeu o status à mesa.

Quando chegou ao Brasil, trazido pelos portugueses, a ave honrou a tradição europeia: era prato de festa, predileção da nobreza.
Hoje, no entanto, quando o país abate 6 bilhões de aves por ano –e cada brasileiro come 45 kg de frango ao ano– são exceções os consumidores que lhe dão valor à mesa.

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“A produção em larga escala, no Brasil, fez o frango perder a nobreza – e um pouco do sabor”, diz Ricardo Maranhão, autor do livro “O Frango – História e Gastronomia” e pesquisador da Universidade Anhembi Morumbi.

Edrey Momo, sócio do Tasca da Esquina, completa: “O frango era uma iguaria; hoje, está descaracterizado”.

No supermercado, é possível encontrar quatro tipos de frango, criados de diferentes maneiras (com as aves soltas ou confinadas, alimentadas com ração ou livremente, com ou sem antibióticos).

A despeito de variações de textura e sabor, cozinheiros dizem que o frango de granja tem, sim, qualidade. Temperos e tempo certo de cocção garantem gosto e suculência.

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