Jovens chefs ganham até R$ 5 mil

Área exige empenho e dedicação; formação pode custar R$ 1.990 mensais

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Tida, muitas vezes, como uma profissão de prestígio, a carreira gastronômica abriga também bastidores de muito esforço, dedicação e paciência, explica a coordenadora da área de Gastronomia do Senac São Paulo, Gisela Redoschi. “Sempre falamos abertamente com os alunos que a área é dura, trabalhamos por muitas horas e o reconhecimento deste trabalho, na maior parte das vezes, não chega”, conta.

Mesmo com um cenário pouco encorajador para aqueles que esperam o estrelato, muitos outros buscam nas funções relacionadas à cozinha uma oportunidade de fazer o que consideram uma paixão. Para os que decidem encarar o mercado, os números são animadores. Gisela afirma que em 2011 o setor faturou cerca de R$ 330 bilhões. “Trata-se de um segmento promissor, com destaque para os profissionais de panificação e confeitaria”.

Segundo Gisela, o curso do Senac, por exemplo, prepara o aluno com tarefas práticas no que diz respeito ao trabalho na cozinha, seus custos e as competências operacionais necessárias para gerir um empreendimento gastronômico. A ideia é que, a partir daí, o estudante identifique a especialidade pela qual mais se interessa e se aperfeiçoe no assunto.

De olho nesta outra etapa da formação do profissional, a escola oferece pós-graduações em Cozinha Brasileira, Gastronomia: História e Cultura, Gestão de Negócios em Serviços de Alimentação e Gestão da Segurança de Alimentos (à distância), além de pelo menos outras cem opções entre extensões universitárias, cursos livres e workshops com profissionais renomados vindos de países como Estados Unidos, Itália e França.

Os estagiários de Gastronomia ganham pouco mais de R$ 700, diz a coordenadora, no entanto, estar sempre atualizado pode significar um aumento na remuneração, assinala. No Senac, o curso tem mensalidade de R$ 1.807,00.

No caso da formação idealizada pela Universidade Anhembi Morumbi, o coordenador do também tecnólogo em Gastronomia, Marcelo Neri, afirma que o objetivo da instituição não é a formação de chefs – o profissional com mais visibilidade do setor, que é o responsável pelo conceito e criação de pratos em hotéis e restaurantes -, pelo contrário, sua meta é formar bons aprendizes. “O pessoal já entra no curso com os pés no chão, sabendo que é preciso ‘ralar’ para alcançar um posto melhor na carreira”.

Neri detalha que incentiva que os alunos façam estágios distintos durante o curso para que saibam em qual especialidade desejam atuar, “quanto mais experiências diferentes melhor”. De acordo com ele, a rede hoteleira paga um pouco mais ao ajudante de cozinha, algo em torno de R$ 1 mil. Com mais experiência, um chef júnior pode ganhar até R$ 5 mil. Na Anhembi Morumbi, os estudantes do período noturno pagam uma mensalidade de R$ 1.990,00 pelo curso.

Como oportunidades de trabalho, o coordenador aponta a indústria alimentícia, onde os alunos podem atuar no desenvolvimento de produtos, como vendedores de alimentos ou compradores especializados. Também na área de mídia (programas de televisão, revistas de receitas, preparação e fotos de alimentos), no magistério (em cursos profissionalizantes e universitários) e em projetos empreendedores como a criação de food trucks e prestação de serviços para buffets.

Outros caminhos

Para quem sonha em atuar na área, mas não possui todo o investimento exigido pelos tecnólogos, a saída pode estar nos cursos de extensão ou livres.

Para Betty Kövesi Mathias da Escola Wilma Kövesi de Cozinha, em São Paulo, esse tipo de formação, que acaba custando menos ao aluno, é procurada por pessoas que veem a área como hobby, um plano B na carreira ou aqueles que já trabalham no ramo, mas que não tiveram a oportunidade de estudar.

“Abordamos o conteúdo de forma prática com técnicas de cozinha compatíveis com as utilizadas nas faculdades, mas nosso curso prevê uma carga de estudos e treino autoditada, é preciso muito foco e maturidade, uma vez que não aplicamos provas ou avaliamos os alunos de maneira formal”. Para os que não têm esse perfil, Betty não recomenda essa opção.

Na escola paulista, a equipe dela trabalha com três tipos de cursos: básicos (com seis aulas) por R$ 1.080,00, aulas únicas focadas em temas específicos que custam R$ 210 cada e o curso objetivo chef com duração de um ano com duas aulas por semana que sai por doze parcelas de R$ 1.404,00.

“Minha recomendação a quem deseja entrar na área é a pesquisa intensa e a tentativa de entender todas as possibilidades de atuação. Se possível, visitar estabelecimentos, conversar com pessoas do setor e realmente compreender todas as atividades que envolvem o cotidiano de um profissional”, finaliza.

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